terça-feira, 13 de dezembro de 2016

O urso branco e o vento norte



 O urso branco estava se aquecendo ao sol esparramado num pedaço de gelo flutuante e o urso branco  adormeceu
 - Urso branco! chamou então uma voz abafada.
 - Quem me chama? resmungou o urso branco meio adormecido.
 - Sou eu, o Vento Norte!
 - O que queres, Vento Norte? perguntou o urso.
 - Urso branco, eu me sinto muito fraco, mal consigo fazer ondas no mar. Sopra um pouco, passa-me  um pouco da tua força, para que eu volte a ser o possante Vento Norte!
 Mas o urso apenas se virou para o outro lado, com um movimento lento e preguiçoso.
 - Continua a soprar assim, com moderação, é agradável!
  O Vento Norte não insistiu e foi soprar bem longe dali; subiu bem alto nos céus pra recuperar as forças. E o urso branco continuou a descansar no seu pedaço de gelo flutuante.
 Alguns caçadores tchuktches viram o urso, subiram no barco e foram em sua direção. O urso só os viu quando já estavam próximos do gelo onde ele estava descansando e compreendeu que, sozinho, não se salvaria. Lançou um apelo desesperado: - Vento Forte! Vem em meu socorro! caçadores tchuktches estão vindo com um barco para me atacar! Depressa, assopra sobre o meu pedaço de gelo, para me fazer deslizar até o alto do mar, a fim de que os caçadores não me matem!
- Mas  o Vento Forte fez ouvir apenas uma voz muito fraca.
- Ai de ti, urso branco. Quando eu te pedi que me ajudasse a recuperar as forças, tu te recusaste. E agora não posso te socorrer. Estou fraco demais! E os caçadores tchuktches abordaram a ilha de gelo e mataram o urso.
Alguns contos
Fábulas

(Contos da Sibéria)