domingo, 29 de janeiro de 2017

O BOI




Ó solidão do boi no campo,
Ó solidão do homem na rua! 
Entre carros,  trens, telefones
entre gritos e ermos profundo.

Ó solidão do boi no campo
ó milhares sofrendo, sem praga!
A escuridão rompe com o dia.

Ó solidão do boi no campo.
homens torcendo-se calados!
A cidade é inexplicável
e as casas não têm sentido algum...

Ó solidão do boi no campo! 
O navio-fantasma de amor caísse!
As mãos unidas, a vida salva...
Mas o tempo é firme. O boi é só
No campo imenso a torre de petróleo.

      Andrade, Carlos Drummond de. "josé", In obra completa. 1ªed. Rio de Janeiro, Cia Aguilar Editora 1964.p.122. 


8 comentários:

  1. Um poema reflexivo de Drummond. Uma sobreposição de solidão-angústia, no boi-homem, campo-cidade.
    Um abraço e uma boa semana

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  2. Diferente, mas, lindo!

    Beijo e uma excelente semana!

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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  3. A solidão do homem no boi percorrido por tantos campos!
    Cadinho RoCo

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  4. Muito lindo Dorli!
    Bjs,obrigada pela visita e uma ótima semana.
    Carmen Lúcia.

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  5. E nós somos bois marcados das ruas. Marcados pela engrenagem, pelo ferro quente da frieza. Quee paradoxo, não? Mas é verdade, a frieza queima e o vazio é muito mais pesado do que a gente pensa. Beijos, Dorli.

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  6. Tenho sensação de já ter deixado comentário aqui.
    Cadinho RoCo

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  7. Oi, Dorli. Voltei só pra dizer, o comentário está lá sim, é que às vezes demoro um pouco para ver, aí fica parecendo que sumiu, mas está lá. bjssss.

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