quarta-feira, 22 de março de 2017

Minha infância




Até hoje eu não conheci alguém assim como eu que tivesse tido uma infância brejeira tão feliz! Morava numa cidade do interior, meu pai tinha vários porcos de engorda que ficavam em chiqueiros no fim da minha pequena cidade, onde havia uma linda relva que no inverno ficava molhada pelo forte sereno.
Um dia minha mãe ganhou uma porquinha bebê que não podia ficar no chiqueiro sozinha, então foi criada em casa. Que amor! Mamãe dava banho nela todos os dias, passava aquele talco cheirosinho, dava mamadeira e ela ia dormir na dispensa que ficava no prolongamento da casa. A porta ficava entreaberta e quando ela queria fazer suas necessidades eu a ensinei fazer num cantinho do quintal. Carinhos eram muitos de nós. A gulosa tomava duas mamadeiras e o dia ia passando até eu ir à escola, ficava sozinha, pois mamãe trabalhava.
Quando terminavam as aulas corria pra casa para cuidar da porquinha, abraçava, beijava, era um anjinho, eu  esquentava o leite para por nas mamadeiras a gulosa bebia deitadinha no meu colo, ia cantando canção de ninar, ela dormia eu a colocava na sua caminha feita com um caixote de madeira bem acolchoada, a cobria bem.
Nesse meio tempo que ela dormia ia brincar com as outras crianças na rua de peteca, bola, etc... Ela acordava e roncava que queria agora sobra de comida e colinho.
Não demorou muito tempo ela cresceu e engordou muito e não podia ficar mais em casa. Meu pai fez um chiqueiro novinho e a colocou dentro. Colocava água e comida todos os dias e quando ia embora  eu chorava e ela roncava sem parar. O chiqueiro ficava meio afastado de casa e mamãe à tarde lavava sua casinha, ficava limpinha.
À tarde ia dar banho nela, carregava dois regadores com água sabonete, escova e pasta para escovar seus dentes, ela deixava, pois de pequena ela tinha esse mimo. Dava-lhe aquele banho gostoso e no assoalho do chiqueiro tinha um buraco natural, onde ela fazia suas necessidades fisiológicas. Eu com uma enxada limpava tudo, jogava areia Nos arredores dos chiqueiros havia muitas flores, conversava com elas, bebia as gotículas de orvalho que ficavam dependuradas das suas folhas e pétalas.
Meu pai vendeu a porca, eu sabia que ela ia morrer, eu e mamãe choramos muito sua venda para o abate.
Assim é a vida, poderia ser uma pessoa a dor foi a mesma, com a diferença que pessoa não ia para o abate. Cada um com sua doença ou velhice.
"Tadinha” da minha porquinha. Nunca mais comi carne de porco.
Obs: só vou postar às quartas-feiras, se estiver bem. Obrigada

13 Comentários:

Às 22 de março de 2017 05:51 , Blogger Carmen Lúcia.Prazer de Escrever disse...

Lindo mini conto Dorli,e aí vemos o quanto uma criança ou adulto criam as raízes do amor,e quando perdemos por algum motivo,é um sentimento muito profundo que jamais esqueceremos.
Bem reflexivo!
Bjs e um ótimo dia.
Carmen Lúcia.

 
Às 22 de março de 2017 06:31 , Blogger Crissi disse...

Wonderful story!
Happy day Dorli
Crissi

 
Às 22 de março de 2017 07:32 , Blogger ✿ chica disse...

Adorei o conto e dá mesmo pena! bjs, chica

 
Às 22 de março de 2017 07:50 , Blogger Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Uma infância muito interessante e uma bela história.
Um abraço e boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
Livros-Autografados

 
Às 22 de março de 2017 08:10 , Blogger Bell disse...

Essa porquinha foi tratada com muito amor.

bjokas =)

 
Às 22 de março de 2017 09:27 , Blogger ReltiH disse...

UNA HISTORIA MUY BONITA. GRACIAS POR COMPARTIR.
ABRAZOS

 
Às 22 de março de 2017 11:55 , Blogger Daniel Costa disse...

Dorli
Bela nuance de conto. Embora o fim de todos os marranos seja o abate, essa de que falas, tendo tido tratadoras especiais lhe foi criado um céu.
bjs

 
Às 22 de março de 2017 12:58 , Blogger Nal Pontes disse...

Que linda historia de infância. Que sem dúvidas são as mais doces recordações que alguém pode ter. Amo como vc escreve. Parabéns querida e muita saúde pra vc. Amo vc e Deus ainda mais. Bjs

 
Às 22 de março de 2017 13:41 , Blogger Cidália Ferreira disse...

Lindo conto! Mas sei de muita gente que não como carne com pena do "animal"...

Beijinhos

 
Às 22 de março de 2017 16:14 , Blogger Tais Luso disse...

Eu estava adorando a historinha de amor, mas não gostei nada do final! Para abate? Poxa, amiga...
Beijo grande!

 
Às 23 de março de 2017 05:48 , Blogger Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Bom dia Dorli!
Você tinha sua porquinha e eu uma galinha a minha galinha carijó.
Ela se chamava, Filó e me atendia quando falava seu nome e me seguia por todo o quintal e não entrava dentro de casa, quando chegava na porta do quintal ela parava, rsrsrsr.
Saudades daquele tempo.
Gostei muito do seu conto amiga, beijinhos.

 
Às 24 de março de 2017 01:06 , Blogger Entre pinceles y crochet disse...

Muy bonito y felicidades.
Me ha gustado mucho.
Un saludo.

 
Às 24 de março de 2017 15:44 , Blogger Roselia Bezerra disse...

Boa noite, Dorli!
Que bom voltou a blogar! Vale a pena!
Bjm muito fraternal

 

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